Andanças e mudanças......

Já diziam os poetas desde a antiguidade que o olhar é algo traiçoeiro, sem escrúpulos, que molda as coisas e as pessoas como bem quer, mesmo sabendo muitas vezes como realmente são. Citei este pensamento para introduzir os relatos sobre minhas viagens como professor do Projeto Sempre Mais Brasil, no qual ministrava aulas de cursos profissionalizantes. Aqui apresentarei meu olhar sobre vários momentos, lugares e pessoas que cruzaram meu caminho nessas andanças e mudanças da vida.
O projeto é de uma empresa chamada CIEEB, a qual me selecionou através de entrevista e treinamento para trabalhar nos pólos no interior do estado. Até então, não havia feito grandes viagens (quando digo grandes, falo da distância), tampouco conhecia mais de cinco municipios do Pará. A oportunidade apareceu através de um anúncio de jornal, no qual procurava emprego para suprir algumas necessidades da faculdade. Logo que fui selecionado, fui mandado para Viseu, que fica na zona bragantina, já fronteira com o Maranhão. Nossa, foram nove horas seguidas de viagem, onde quatro horas se seguiam em uma estrada de terra muito esburacada e empoeirada. Apesar da distância, a cidade é encantadora! não pela estrutura urbana que em suma não satisfaz quem vive em uma metrópole, contudo as pessoas são muito hospitaleiras e gentis. Onde eu passava, todos me olhavam querendo quem eu era, de onde eu vinha, enfim. Logo no primeiro dia, entrei no hotel, tomei um banho e fui na praça principal olhar o movimento noturno. Não me arrependo um segundo sequer de ter feito isso! Sentado em uma mesa de lanchonete, esperando meu pedido chegar, avistei duas garotas, muito bonitas e chamativas, sentadas bem na mesa ao lado da minha. Elas conversavam discretamente e pareciam não se importar muito com a minha presença. Aquilo me deixou confuso, e logo tratei de conhecê-las. Perguntei onde ficava o Banco do Brasil da cidade, mesmo sabendo que havia ocorrido um assalto dias antes da minha chegada; isto serviria de subsídio para uma futura conversa. Em resumo, nos tornamos amigos e conversamos até tarde, e logo após, combinamos de nos encontrar no outro dia. Tivemos vários encontros assim; conversávamos e ríamos como se nos conhecêssemos há muito tempo. Entretanto, o mais interessante é que todas as pessoas com que falei foram de uma bondade e gentileza que me deixaram perplexo. Jamais vi tantas pessoas daquela estirpe reunidas em uma só cidade!
As aulas foram de vento em polpa e meus alunos a cada dia se mostravam mais interessados e solicitos a qualquer atividade que exigisse esforço da parte deles. Foram momentos muito bons que jamais esquecerei. Lembro de uma festa que aconteceu no meu último dia na cidade. Depois de um dia cansativo, onde me despedi dos alunos com muita música, cantando e tocando violão, fui relaxar com a professora Luzzia e alguns amigos na tal festa, onde mais uma vez o clima de despedida se fez presente. Alguns alunos me abordaram e me agradeceram pelo meu trabalho, pedindo para que retornasse mais vezes. Enfim, sabia que meu trabalho estava dando certo, e no outro dia já dentro do ônibus a caminho de Belém, me despedi de Viseu com o coração doendo de saudades. Jamais esquecerei o que senti naquele momento!
Outros professores a exemplo da Jéssica, minha princesa, me parabenizaram pelo excelente trabalho desenvolvido em Viseu, pois os alunos demonstravam um enorme carinho pela minha pessoa e pelo meu trabalho. Fiquei muito alegre ,e para quem estava apenas começando era certeza de que ia dar tudo certo. Até hoje mantenho contato com algumas pessoas de lá, e uma das garotas que conheci, Brena, veio morar em Castanhal, para estudar para o vestibular. nos falamos recentemente!
Esse primeiro momento foi de andanças e aprendizagem para mim como profissional e como sujeito de um mundo multicultural e de gratas surpresas. As pessoas, as paisagens, os lugares, momentos, cheiros, cores, risos, sotaques, enfim, todos os elementos que compõem essa experiência de vida, ficaram e ficarão guardados na memória e agora também memorados nesse post legados para essa e para as futuras gerações!
Inté a próxima!!!!!!

Não sou


Meu espírito é simples,
Minhas palavras, singelas e leves
Não sou grande poeta
Tampouco sou célebre
Somente ergo bandeira branca
Aos mais profundos sentimentos
Com os quais há muito lutei
E árduas batalhas travei

Passei a vê-los como o são
E enfim, procurei aquietar-me,
Lentamente meu coração deitou em repouso,
Ao ouvir certas vozes a falar-lhe

E como se não bastasse
Ocupei-me em traduzir às diversas formas
o papel e a tinta agora,
Leais companheiros,
são quem tudo põem a mostra
Como disse, não sou inédito
Falo do que sinto e vejo,
Desde o simples mover das folhas
ao mais oculto desejo

E se algum dia, por infortúnio
Me tornasse eternamente anestésico;
indubitavelmente
acabaria a poesia da vida,
toda a arte cessaria,
E para mim
Não mais faria sentido o pretérito.

By: O.S.Q. Júnior*

Se um dia

By:O.S.Q.Júnior*

Se por um  acaso me encontrares
A vagar por entre a névoa;
Não se assuste, pelo contrário
Dê-me sua mão e guie-me

Se um dia me encontrares a beira-mar
Na luz da aurora
Não se canhe em achegar-se
Não estarei louvando a natureza
E sim refletindo minha pequenez

Caso alguma vez me avistares
ao longe; não duvide!
perceberei tuas intenções
E se ainda mais uma vez,
O destino nos aproximar
Não exite!
Pois não se cansa e não cessa de conspirar

By: O.S.Q. Júnior

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